Gravidez na Wicca.

Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. Na wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem, a Mãe e a Anciã, sendo que esta última ficou mais relacionada a bruxa na imaginação popular. 
A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação na mulher, e é também a contraparte feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal! 

A gestação é um período único na vida de uma mulher. É um tempo mágico! Esta é uma dádiva que somente as mulheres podem obter: gerar um filho! 
 
A Deusa nos Sabbats
No solstício de inverno ocorre o nascimento/renasci-mento do Deus; nos sabás da primavera, do verão e do outono, ele tem o Seu crescimento, puberdade e maturidade; e Sua morte no sabá de Samhain. Após a morte ele retorna ao ventre da Deusa Mãe até o solstício do inverno seguinte, quando renasce. Este é o ciclo mítico do nascimento-morte-renascimento que se repete em todos nós todos os anos. E a Deusa, em Seus aspectos, é adorada durante todo o ano. Outras tradições preferem adorar a Deusa durante os sabás da primavera e verão, e o Deus durante os sabás do outono e do inverno.  

Deusa em harmonia com o Deus
Conquanto a Deusa presida a pulsação vital constante do Universo, é imprescindível que entendamos o papel do Deus. Ela é a Senhora da Vida, mas Ele é o Portador da Luz; Ela é o ventre, Ele o falo ereto; Ela gera a vida, Ele é a faísca que inicia o processo, em plena harmonia, sem predomínio nem competições, mas pela completa união... Ambos parceiros no desenrolar da música e dança que criam e recriam o universo ainda hoje... Na Primavera Ela é a Donzela, Ele o Deus do Amor... No verão ela é a Mãe, grávida, ele o Deus da Vegetação e dos Animais, Cernnunnos... No outono ele desce para o Mundo Subterrâneo, como o Deus Negro do Mundo Inferior, do sacrifício e da Morte e Ela a Anciã que abre os portais e o acolhe durante sua transmutação. No inverno ele renasce do próprio ventre escuro da Deusa, que quase torna, assim, a um só tempo, sua consorte e sua mãe...

A Lua e a Gravidez
"Uma ligação desconhecida entre a Lua e o nascimento", concordam os ginecologista e obstetras. Há relatos médicos que dizem que conforme a transição lunar, o número de nascimentos nos hospitais chega a triplicar, fazendo inclusive com que alguns médicos programem o seu trabalho conforme o calendário lunar.

Na tentativa de uma explicação para o fenômeno, alguns profissionais da saúde dizem que, por tradição, os ciclos menstruais da mulher são contados pelo sistema do mês lunar, com apenas 28 dias. A gestação também obedece o mesmo ciclo. Em média, são contados nove ciclos da lua — e não nove meses completos —, desde a fecundação até o momento previsto do parto.

Mesmo ainda sem comprovações sobre a influência da lua sobre o nascimento de bebês, é certo que o satélite é capaz de proporcionar mudanças em elementos da Terra. Os mais visíveis dizem respeito aos elementos fluidos, como a água das marés e os ventos atmosféricos.

O caldeirão e o útero 
O útero da Deusa (grande mãe) é representado pelo Caldeirão, de onde tudo vem e para onde tudo retorna. Ligado ao elemento água, e assim como os outros utensílios do altar wicca é necessário consagra-lo. 

Como entrar em contato e perfeita harmonia com o filho no ventre.
Você deve refletir sobre individualidade de seu filho, sobre o respeito que ele (a) merece ter como pessoa, sobre a liberdade que nós, wiccanianos, tanto valorizamos. Você deve incentivá-lo (a) a ser exatamente o que ele (a) é, e não o que é imposto pela sociedade ou pelos demais. Uma pessoa que pode ser e tem coragem de ser aquilo que realmente é, vive melhor e mais feliz.

Além de centrar-se, você pode entrar em contato com a energia dele, senti-lo em seu ventre, transmitir todo o amor que sente por ele, seu zelo e que você o espera com muita felicidade e de braços abertos. Você pode se imaginar numa floresta, perto de uma cachoeira, na beira da praia. No local onde você se sente bem, relaxada, calma. Cuide a respiração, sinta a energia fluindo em seu corpo.

Você também pode fazer afirmações positivas para o bebê, já que assim como ele compartilha de seu organismo, compartilha de seus sentimentos e de sua energia. Você pode fazer afirmações do tipo “Minha mãe me ama e espera com alegria para segurar-me em seus braços”, “Estou me preparando para entrar num mundo onde serei acolhido e criado com amor e respeito”. Você pode criar suas próprias afirmações.

Também através da meditação, você pode pedir que alguma Deusa se manifeste para ser sua Madrinha de Parto! Ela será muito importante durante a gravidez, pois Ela que vai orientá-la e prepará-la para a hora do parto. Naelyan Wyvem, diz em seu artigo Bruxa e Grávida – Como viver magicamente este momento tão importante na vida de uma mulher.


O Nascimento.
“A criança entra no mundo e a mãe alcança um novo nível de consciência; nenhum dos dois será o mesmo de antes” – Isabel Allende.

Dar à luz é como um ritual de iniciação. Não deixa de ser um importante rito de passagem: a futura mãe desce ao mundo das sombras (e da dor), entrega-se à morte (do seu eu anterior), nascimento (da criança) e renascimento (de si mesma como mãe).
O milagre do nascimento de um novo ser. A energia luminosa que transpira do corpo da mulher. O instinto materno. Tudo isso junto e chegando ao mesmo tempo para uma só pessoa: a nova mãe. Ela foi iniciada. Não é mais como as mulheres que não são mães. Apesar de todas as dores que ela sentiu, ela passaria por tudo novamente, por ter esta como a mais intensa e comovente vivência em sua vida.
Tirando os casos onde se faz realmente necessária, a cirurgia cesariana muitas vezes vence pelo comodismo urbano, pelo afastamento da mulher da natureza, pela conveniência e pelas facilidades tecnológicas.
“Impede-se desta maneira artificial a metamorfose natural da mulher em mãe, que deixa de experimentar o estágio da dilatação como a entrega total, sem reservas, dissolvendo-se na dor até descer profundamente no próprio ventre da Terra, de onde precisa voltar juntando todas as suas forças para o trabalho final e árduo de empurrar a criança e alcançar o clímax orgásmico da vitória final” – Mirella Faür.

Dentro do possível, a mulher deve manter sua consciência e participação ativa no parto, para depois manter o contato físico com o bebê, acariciá-lo, sussurrar-lhe palavras carinhosas e dar-lhe o peito pela primeira vez.
Para uma mulher pagã, é inconcebível a ideia de “optar” por uma cesariana simplesmente porque “não quer sentir dor”. Para quem tem condições financeiras, há diversas casas de parto e doulas que fazem parto domiciliar. De qualquer forma, há o resgate do parto natural, e se você tiver condições de fazer isso, sem complicações na gravidez, por favor, faça – por você e pelo seu bebê. O parto é uma cerimônia sagrada de iniciação e transformação. Não deixe passar batido.

Maternidade.
Hoje, apesar de a maioria das mulheres ter se distanciado da sua natureza, é comum as mulheres pagãs retomarem essa ligação, e a maternidade é um momento onde todos os sentimentos – inclusive essa ligação – ficam à flor da pele.

O ato de dar à luz ainda é considerado sagrado. Não deve ser visto como um momento de sofrimento e ansiedade. Você, que está grávida, veja seu corpo como uma dádiva da natureza. O fato de ser fértil e capaz de gerar uma vida dentro de você deve ser visto como algo maravilhoso, porque realmente é. E, por maior que seja a participação do pai da criança, a gravidez até o parto é uma transformação da mulher.

Desse ponto de vista, é chocante pensarmos em como hoje são as práticas obstetrícias: a imobilização forçada da gestante, a indução do parto, o uso de drogas que tiram a consciência da mãe, as intervenções cirúrgicas planejadas antecipadamente sem necessidade, além do tratamento frio dado à mãe e ao recém-nascido.

Existe o consenso de que só uma mulher que pariu pode compreender e apoiar o sofrimento de outra mulher. Atualmente, há o resgate da prática de doulas, ainda que não seja algo difundido comumente.

É necessário que as mulheres pagãs conheçam mais sobre a história da maternidade e reivindiquem seus direitos – resgatem rituais para reconsagrar seu corpo e sua alma.

Fundamental é ter em mente que uma concepção consciente implica sexo consciente. Não faz parte do respeito aos nossos corpos induzir uma gravidez sem que você e seu parceiro estejam de acordo. Também não é respeitoso com ele, muito menos com o seu bebê.

Desde já agradeço a Paty Witch e ao espaço Místico pela ajuda com a matéria.  
E para finalizar, veja algumas deusas que foram mães e que são boas opções:
Ártemis: A deusa grega Ártemis nasceu de Leto, num parto sem dor, e em seguida ajudou sua mãe a dar à luz Apolo, seu irmão gêmeo, tornando-se assim a parteira que ajudou a própria mãe. Eram feitas celebrações em sua honra para a cura de mulheres e crianças.

Ísis: A Rainha Suprema dos egípcios, após salvar da morte seu amado Osíris, que havia sido desmembrado em quatorze pedaços por seu irmão, Set, procurou por seus pedaços e juntou-os, não encontrando apenas o pênis, que substitui por um membro de ouro. Assim ficou grávida, e teve que escapar da prisão de Set para os pântanos, e em um parto muito difícil deu à luz a Hórus.

Macha: Deusa Celta, Macha veio para trazer prosperidade e soberania a vida de Crunniuc, um viúvo, proprietário de terras ao norte da Irlanda. Certo dia, quando Macha estava já com gravidez avançada, ele foi convidado para ir a uma festividade, onde vira a oportunidade de fazer bons negócios. Ela ficaria em casa, porém avisou-lhe de que não deveria dizer nada de que pudesse se arrepender. Mas na festa depois da bebedeira, numa conversa com outros nobres, ouviu um deles falando que o rei possuía os cavalos mais velozes do mundo. Ouvindo isto, Crunniuc desafio-os dizendo que sua esposa era tão veloz ou mais. Então mandaram buscá-la, e ela pediu clemência devido ao seu estado, mas foi em vão. Ela correu e venceu a corrida, mas ao cruzar a linha de chegada, lançou um urro de dor e deu a luz gêmeos, que deu nome ao local “Émain Macha” ou “os Gêmeos de Macha”. Ela foi embora, e lançou uma maldição sobre aqueles homens e seus descendentes.

Coatlicue: É uma divindade asteca, considerada mãe de todas as outras divindades. Ela ficou grávida ao encontrar plumas brancas e colocá-las sobre o peito. Quando seus outros filhos descobriram sua gravidez, juraram matá-la para que seu filho não tomasse o lugar deles. Somente sua filha, Coyolxauhqul, a Deusa Lua, avisou-a que corria perigo. Então, ela foi decapitada pelo Deus Sol, e Coatlicue colocou a cabeça luminosa da filha amada no céu.

Ix Chel: Deusa Maia da ilha de Cozumel. Ela ajuda no nascimento dos filhos, pois segura o vaso do útero sagrado de cabeça para baixo, de modo que as águas da criação possam estar sempre jorrando.

Deméter: Ela preside o relacionamento com os filhos, pois sua filha Perséfone, foi capturada pelo Deus Hades, para viver com Ele no Submundo. Então, traumatizada, Deméter, tirou toda a energia vital da Terra. Zeus, preocupado com o acontecido, persuadiu Hades a devolver Perséfone. Hades, com medo de que Ela não mais voltasse, fez com que Ela comesse seis sementes de Romã. Assim, Ela voltou para Deméter durante seis meses (os de calor), e voltava para Hades, nos outros seis (os de frio).

Gaia: Gaia é a Mãe Terra surgida do Caos, a origem de tudo. Ela é mãe dos Titãs e ascendente de todo o panteão grego. Júpiter, por exemplo, que era chamado o pai dos deuses, é da segunda geração, ou seja, é neto de Gaia.

Bachue: A deusa colombiana Bachue, nome que na língua chibcha significa grandes seios, e seu filho criaram a espécie humana.

Cy: para os índios brasileiros, todas as coisas têm mãe. A Mãe de Todos, a Grande Mãe, na maioria das línguas indígenas é denominada Cy, aquela que sempre existiu e que nunca deixará de existir.


A todas as mamães gestantes, ou não, que a Deusa abençoe!

2 comentários:

  1. Gostaria de parabenizar pelo artigo sobre parto, e só acrescentar que, doulas não fazem partos, elas dão suporte físico e emocional pras mães durante a gestação e trabalho de parto. O parto é sempre atendido por uma obstetriz ou enfermeira obstétrica.
    Estou grávida, e optei há muito tempo por ter meu parto domiciliar, com esse tipo de acompanhamento, sou praticante de magia, e achei lindo encontrar esse assunto tão bendito aqui!

    Obrigada

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  2. Amei muito o artigo, me tirou certas duvidas e me encheu de conhecimento, sou wicca a 2 anos e estou grávida de 2 meses, sempre achei melhor o parto normal por ser mais natural e com bem menos riscos. Porém não sei se suportaria a dor. e ainda estou pensando em tomar uma pequena anestesia pra diminuir apenas, a dor.
    Abençoadas sejam!

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