Venus de Willendorf

Em uma era como a nossa, na qual a magreza é praticamente um requisito máximo, é estranho imaginar que um padrão feminino completamente oposto tenha sido cultivado na Era Paleolítica.

A Vênus de Willendorf simboliza este modelo alternativo. Atualmente ela é igualmente denominada Mulher de Willendorf, pois vários pesquisadores modernos se sentem desconfortáveis com a associação desta imagem ao tradicional ícone da Vênus.
Com certeza por conta de seu excesso de peso. Este ideal ancestral apresenta a parte externa dos órgãos genitais, as mamas e o ventre copiosos. Talvez porque esta mulher represente a fecundidade e a abastança. Em contraste seus braços são delicados e praticamente despercebidos; eles se curvam sobre as mamas.
A estátua, que mede 11,1 cm de altura, não apresenta um rosto aparente. O couro cabeludo está recoberto por algo semelhante a tranças ou disposto em um penteado da época. Na verdade, pode até ser que sua cabeça esteja pontuada por diversos olhos. Ela jamais foi planejada para ter pés. Daí se deduz que ela foi criada para ser transportada de forma portátil, nas mãos, possivelmente por ser considerada um talismã.
Um sinal de que esta tese pode estar correta é a estatueta ter sido elaborada com calcário constituído de oólitos, um material próprio do Período Jurássico francês. Esta rocha avermelhada não era típica da área onde foi encontrada, próxima de Willendorf, na Áustria. Tudo indica que criaturas errantes, praticantes da caça e da coleta, levavam a estátua onde quer que fossem.
Este artefato foi um achado do século XX, localizado a cerca de 30 metros do rio Danúbio. Ele foi resgatado das profundezas da terra pelo arqueólogo Josef Szombathy, no dia 8 de agosto de 1908. Calcula-se, desde os anos 90, que a Vênus foi criada há vinte e dois mil ou vinte e quatro mil anos. Quase nada se conhece sobre sua procedência, como foi esculpida e qual é o seu sentido no interior da vida cultural daquela época. Hoje a imagem autêntica está preservada no Museu de História Natural de Viena.
Diversos estudiosos hesitam diante da possibilidade de vincular este ícone com a divindade Mãe-Terra, também conhecida como Grande Mãe, cultuada pelos europeus daquele período. Outros insinuam que sua obesidade traduz um status social superior em uma comunidade de caçadores e coletores.
Afirmam igualmente que a estátua pode representar, além disso, a estabilidade, o êxito e o conforto, um grupo que vive de forma comedida, alicerçado na Terra, despojado de confrontos e com surpreendente engenhosidade.

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