A WICCA - Entendendo Melhor. (parte 2)

Bruxaria/feitiçaria, em inglês Witchcraft, é um termo derivado da palavra anglo-saxônica Wiccacraft, que significa "a arte dos sábios". Referia-se ao conhecimento superior possuído por certos indivíduos numa comunidade, conhecimento da natureza, da herbologia, das forças naturais que nos cercam, de certos aspectos da Wicca e da medicina e da capacidade de contatar a divindade.

Assim, a Wicca não era uma força do mal, mas um sábio, a única pessoa na comunidade a quem se podia recorrer quando surgia algum problema religioso, médico, ou outro problema não material. Desde o começo dos tempos, o Xamã, ou sacerdote, era o sábio; e embora o cargo fosse de início atribuído a uma pessoa fisicamente deficiente que não podia caçar nem lutar, acabou por ser exclusivo de uma elite da comunidade e a pertencer aos seus estratos intelectuais mais elevados.

A Bruxaria ocidental, uma tradição baseada, sobretudo nas crenças das comunidades anglo-saxônias (Ingleses, Germânicos), Greco-romanas e escandinavas, que data de milênios, ergue-se sobre três conceitos básicos:

(1) O culto a uma Deusa-Mãe e a um Deus Fertilizador, um princípio feminino e um masculino em total igualdade e que se complementam;
(2) A crença na reencarnação sem a conotação evolutiva, mas apenas no aspecto de continuação do ciclo de vida, morte e renascimento;
(3) O conhecimento e o uso da magia, significando esse termo não as mágicas de palco, mas a manipulação da lei natural de modo a trazer benefícios para o homem, utilizando melhor os recursos naturais, explorando os segredos do universo e descobrindo atalhos e remédios para melhorar a vida.

Esses são três aspectos cardeais da Wicca.

Os bruxos não acreditam no demônio, porque o demônio veio depois, sendo invenção da igreja política do século XIV, que precisava de um adversário tangível para combater, em vista da continuação da crença no Paganismo por quase todos os camponeses. A palavra "diabo" significa "estrangeiro" na língua cigana, mas para tornar esse adversário um anticristo, os chifres do deus grego Pã, o rosto de bode, mais os aspectos fogosos do Belzebu fenício contribuíram para a criação de uma força artificial do mal chamada diabo. Que essa invenção sem sentido tenha sobrevivido setecentos anos de iluminismo é surpreendente. Mas sobreviveu. E essa invenção foi e ainda é a causa da morte, loucura, e sofrimento de milhões de pessoas.

Os bruxos não têm familiares, isto é, animais a quem ordenam realizar o que desejam. Podem ter animais domésticos, pois a santidade de todas as formas de vida é parte da crença da Bruxaria. Os bruxos não lançam feitiços à toa, não atacam ninguém por um simples capricho, pelo contrário, normalmente auxiliam aqueles que precisam, pois sabem que cada ser no universo é parte deles. Desde os tempos antigos, as comunidades agrícolas e, conseqüentemente, seus ritos estavam relacionados com a procriação dos animais.

Seu rito de fertilidade, no qual os membros femininos da comunidade ou Coven dançavam ao redor do círculo sagrado montados em cabos de vassouras (símbolo da domesticidade), a fim de mostrar aos grãos até que altura deveriam crescer, transformou-se na fantasia da viagem pelo céu num cabo de Vassoura. O companheiro simbólico da Deusa-Mãe, chamado de Deus Cornudo, transformou-se no demônio da igreja hostil, só porque o sumo sacerdote usa um elmo ornado de chifres durante as cerimônias.

A Bruxaria não tem nada a ver com a Missa Negra. Esta é uma invenção de pessoas que buscavam emoções proibidas no século XVI, tornando-se particularmente popular na Inglaterra no século XVIII. É simplesmente uma paródia de culto religioso que tenta profanar a religião católica romana invertendo tudo, do crucifixo às orações. Como os bruxos não se importam em nada com a existência de outras religiões, pelo contrário, apóiam e respeitam a diversidade religiosa, não haveria razão ou vontade de querer ridicularizá-los.

O satanismo ou culto do demônio também não tem a ver com a Bruxaria, salvo por ter tomado por empréstimo alguns ornamentos externos dos bruxos, pervertendo seu sentido ao fazê-lo. Enquanto os bruxos cultuam a vida e a santidade de todas as criaturas vivas, e proíbem toda forma de sacrifício humano ou animal, enquanto os bruxos acreditam em fazer aquilo que não faz mal a ninguém, os satanistas seguem uma linha de raciocínio oposta. O egoísmo, a cobiça, a luxúria e a plena satisfação dos desejos sensuais são não só permitidos como também encorajados, a destruição de criaturas mais fracas é santificada e o princípio do egoísmo louvado como forma saudável e construtiva de vida, sendo assim fica completamente óbvio que a Bruxaria não possui absolutamente nada a ver com o Satanismo ou qualquer corrente religiosa com práticas destrutivas e desequilibradas.

3 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo! De fato podemos perceber que esses esclarecimentos fazem a total diferença para quem quer se iniciar no estudo! Parabéns!

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  2. É preciso se iniciar na Wicca? Ou o bruxo (a) pode seguir uma vida inteira sem ser iniciado? Isso afeta em algo na sua crença ou no seu poder?
    (desculpe caso sejam perguntas idiotas)

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    1. De jeito nenhum suas perguntas não são nada "idiotas".
      Não é uma regra ser iniciado, o fato de se iniciar ou ser iniciado só te difere de seguir sempre os 8 rituais de sabaths e 13 esbas aciduamente, pois fecha um compromisso com os Deuses. mas existem cerca de "3 caminhos" vamos dizer assim. O Iniciado por um covém, o autoiniciado (bruxo solitário) e o praticante (estudioso sobre assunto) você pode muito bem estudar, participar de rituais públicos e seu "poder" não será menor ou maior. apenas sua dedicação. Agradeço muito por compartilhar sua dúvida conosco. Blessed Be

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